Escala PUSH: pontuação, preenchimento e acompanhamento da lesão
O PUSH foi desenvolvido para acompanhar a evolução de lesões por pressão ao longo do tempo. O valor está na comparação seriada, não em um número isolado.
1. O que é o PUSH
PUSH significa Pressure Ulcer Scale for Healing. O instrumento foi desenvolvido para acompanhar mudanças em lesões por pressão de forma prática e sensível à evolução. Estudos de validação mostraram relação do escore com mudanças no processo de cicatrização.
2. Quais são os três componentes
O instrumento combina três dimensões: área da lesão, quantidade de exsudato e tipo de tecido presente no leito. Cada componente recebe uma categoria e a soma forma o escore total usado para comparação ao longo do tempo.
3. Como medir a área
O componente de tamanho usa comprimento multiplicado pela largura. A medição deve seguir uma técnica consistente e o mesmo método em avaliações sucessivas. Mudanças na forma da lesão podem tornar uma única medida imperfeita, mas a padronização melhora a comparação.
4. Como avaliar o exsudato
A quantidade de exsudato é registrada em categorias. O avaliador deve observar a lesão de forma padronizada e evitar misturar a avaliação do PUSH com descrições livres sem critério. O protocolo da instituição deve definir momento e técnica da avaliação.
5. Como registrar o tipo de tecido
O PUSH também considera a aparência predominante do leito, distinguindo categorias de tecido. O objetivo é representar a condição da lesão naquele momento. A classificação não substitui uma avaliação completa de profundidade, bordas, pele ao redor, dor, sinais de infecção e demais características relevantes.
6. Como interpretar a evolução do escore
Em acompanhamento seriado, redução do escore costuma acompanhar melhora da lesão, enquanto estabilidade ou aumento pode indicar ausência de progresso ou piora e merece reavaliação. O PUSH não determina sozinho a causa da evolução nem qual tratamento deve ser escolhido.
7. Exemplo de preenchimento
Imagine uma lesão avaliada hoje com determinada faixa de área, exsudato moderado e tecido de granulação predominante. Os três componentes são registrados e somados. Na próxima avaliação, o mais importante é repetir a técnica e comparar a tendência, não decorar apenas o total anterior.
8. Frequência de avaliação
Estudos de validação utilizaram avaliações seriadas, inclusive semanais. Na prática, a frequência deve seguir o protocolo do serviço, o plano de cuidado e mudanças clínicas da lesão. Repetir sempre no mesmo contexto ajuda a interpretar a tendência.
9. O que o PUSH não substitui
O instrumento não substitui classificação da lesão, avaliação etiológica, investigação de infecção, avaliação vascular, estado nutricional, pressão e cisalhamento, controle de umidade ou plano terapêutico completo. Ele é uma ferramenta de acompanhamento, não um diagnóstico abrangente.
10. Registro profissional
Documente o escore e também os achados relevantes que não estão resumidos pelo número. Fotografias, quando permitidas e realizadas com consentimento e protocolo, medidas seriadas e descrição clínica podem complementar o acompanhamento.
11. Como usar a ferramenta do Enfermagem Fácil
A ferramenta ajuda a organizar os componentes e conferir a soma. Para uso assistencial, confirme que a versão e os critérios correspondem ao instrumento adotado pelo serviço e mantenha o registro seriado conforme protocolo.
Use a ferramenta relacionada
Depois de revisar os critérios, limites e exemplos, use a ferramenta como apoio para conferência e estudo.
Abrir Escala PUSHPerguntas frequentes
PUSH serve para diagnosticar lesão por pressão?
Não. Ele foi desenvolvido principalmente para acompanhar evolução. Diagnóstico, classificação e plano de tratamento exigem avaliação clínica mais ampla.
Um escore menor sempre significa que o tratamento está correto?
Não necessariamente. A tendência pode indicar melhora, mas a interpretação precisa considerar a avaliação completa, tempo de acompanhamento e condições do paciente.
Fontes e referências
- PUSH Task Force — derivação e validação do PUSH — publicação inicial sobre o desenvolvimento do instrumento.
- Stotts et al. — validação do PUSH — estudo que confirmou sensibilidade do instrumento para acompanhar cicatrização de lesões por pressão.
- Santos, Sellmer & Massulo — confiabilidade da versão em português — estudo brasileiro sobre confiabilidade interavaliadores do PUSH adaptado ao português.